Da lousa ao Magalhães
Posted by carlos a.p. ramos | Posted in | Posted on 23:59
Por ora, a festa está para durar durante mais uns tempos porque a alegria de quem reencontra amigos e colegas de faixas etárias semelhantes é contagiante. O conhecimento virá depois, durante meses de cansaço intelectual até atingir a meta no próximo Verão
Debruço-me com alguma nostalgia sobre as descobertas dos mais pequenos no 1º ciclo (ex escola primária); às novas matérias juntam-se as brincadeiras que fazem de cada intervalo um momento único: à falta do pião e das corridas dos “arcos”, inventam-se outros jogos, mas a bola e a “macaca” continuam a fazer parte da lista que todos soletrámos no tempo certo…
A ocupação dos “intervalos” das aulas acompanhou a evolução das mesmas, já não há o papaguear dos rios e afluentes, das linhas-férreas e ramais, e até “cantar a tabuada” caiu em desuso, para o bem e para o mal na aprendizagem das “contas”. A professora Georgina, por exemplo, levava tudo muito a sério, e ai de quem não tivesse na ponta da língua “quantos eram 9 x8”!
A “minha” escola, por onde passaram milhares de alunos, continua de pé: uma sala de aula de cada lado, e ao centro a residência dos professores, encimada por um varandim em ferro que servia de púlpito à mestra nos intervalos mais prolongados:
-Meninos, pouco barulho, já lá para dentro!
E nós, claro, obedecíamos porque tínhamos nos ouvidos os sons da régua quando vinha lá do alto “descansar” nas palmas das nossas mãos…
As “contas” eram feitas na “pedra” (lousas) com um lápis da mesma matéria, e no fundo da sala havia um mapa de Portugal para onde nos dirigíamos quando a professora assim o entendia.”Ir ao mapa ou ao quadro” deixava os alunos com tremedeira nas pernas porque a professora Georgina fazia-se acompanhar por uma “vara da índia”…para apontar e “espantar a ignorância” que das nossas cabeças.
Uma vez, na quarta classe, confundi os feitos heróicos de Vasco da Gama e Fernão de Magalhães; o castigo não se fez esperar como era moda, por isso deixei de “ver com bons olhos” estas duas figuras dos mares nunca dantes navegados. Passado meio século, eis que um deles, o “Magalhães”, passa a ser motivo de conversa em tudo quanto é sítio, só que desta vez não me apanhou desprevenido: tenho um Toshiba, de quem é “primo”, e agora já não confundo as aventuras dos dois mestres marinheiros – o Google está ao alcance de um “click” e a resposta vem de imediato!
Se a professora Georgina fosse viva, apesar de rezinga, a sua competência de mestre-escola estaria à altura de utilizar as novas tecnologias em benefício dos alunos – disso tenho a certeza! - e eu, quem sabe, teria ido além da Taprobana se tivesse um “Magalhães” à disposição…
Agora (como antes, mas de outra forma…) já não há desculpas para ir mais longe “ sem sair de casa”! Portanto, façam o favor de viajar na nova “caravela portuguesa” na companhia das vossas crianças, com estas ao leme.

COMENTÁRIOOOOOOO
Pouco tempo para ler. Problemas a interferir com a disponibilidade mental para os comentários. Hoje finalmente tento. Um pobre comentário. Apenas para REAFIRMAR O PRAZER DE O LER. E para partilhar memórias também. Também a " pedra " foi o meu " Magalhães ". Ainda lembro o cheiro característico com que ficava após um dia de erros apagados a cuspo com o dedo. ( Que faria a A.S.A.E. perante isto ? Ou não teria cabimento ? lolol ) Ainda lembro de a lavar ( à " pedra ", claro ) com água envinagrada para desinfectar, tirar o cheiro e lhe restituir a negrura original. Soube há tempo que os nossos " Magalhães " ( tal como telefones, leitores de música, comandos electrónicos e outras modernas maravilhas de teclado ) são também perigosos ( ? !!! glurrrppp )" acumuladores de germes " , em que nem pensamos muito, e que não se podem lavar com vinagre......Talvez possamos utilizar , com muito cuidado as " maravilhosas " e também modernas " toalhitas anti-bacterianas "......lolol
Bom...... à parte o aparte dos germes, o seu texto levou-me numa viagem no tempo, qual foguetão em história de ficção científica. Percorri num momento ( que os pensamentos também são como as cerejas ....onde é que já li isto ??? :) )toda a minha vida de aluna, imaginando o que teria feito se, em vez da lousa, tivesse um teclado. Há uma infinidade de coisas do nosso dia a dia que não passavam de ficção quando éramos crianças e lembro-me de sonhar muito sobre as possibilidades que teríamos se fossem reais. Só não contava vir a poder utilizá-las !
O mundo que legamos aos nossos filhos e netos é infinitamente melhor e pior. Será que ainda vamos a tempo de guardar o melhor e remendar o pior ?
Por agora ficamos pelo grato prazer de comunicar, assim, realmente, de forma virtual. :)
Um abraço e um sorrisão do cuore. :)
C.de cuore